Mais pragmatismo
31 | Outubro | 2009
Bernardo Pires de Lima
 

Jornal i, 31|Outubro|2009

Há uma pergunta que devíamos fazer regularmente em relação a decisões tomadas na política internacional: caso não se decida de certa forma, qual a alternativa? Por exemplo, se tudo falhar no Afeganistão, quem ocupará aí o vazio de segurança? Não entrando em vigor o Tratado de Lisboa, que hipóteses de adesão terão os países dos futuros alargamentos? Ou, ainda, que credibilidade teriam os europeus na cimeira de Copenhaga caso não chegassem a um denominador comum durante este Conselho Europeu? Ou seja, as decisões podem não ter a celeridade que gostaríamos, o alcance que ambicionámos, mas a sua definição encerra um preenchimento político indispensável.
Neste Conselho Europeu foi isso que aconteceu: traçou-se um esquema de prioridades que começou, não na repartição de lugares, mas no entrave ao fim do processo de ratificação do novo tratado.
Ultrapassado este obstáculo, era importante emitir um sinal para o exterior, capaz de influenciar os estados que têm uma palavra a dizer no combate às alterações climáticas. Por fim, adiar a nomeação dos altos cargos revelou um interessante salto em frente no debate europeu: dar primazia ao essencial, deixar para depois o que apenas desperta a atenção mediática. Talvez por finalmente terem percebido que o mundo fora da União não perde um segundo com estas reuniões ou com o Tratado de Lisboa, ou fique paralisado à espera do sr. Blair. A verdade é esta. E como toda a verdade, leva tempo a digerir.