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Celebra-se hoje os vinte anos do derrube (não foi uma “queda” natural, convém recordar) do Muro de Berlim.
Há cerca de uma semana (no passado dia 3), O presidente Klaus assinou o instrumento de ratificação do Tratado de Lisboa, permitindo assim a sua entrada em vigor no próximo dia 1 de Dezembro. Conclui-se deste modo um período de vinte anos da política europeia, durante o qual a União Europeia se ajustou à nova Europa que emergiu dos destroços do Muro.
As coisas não correram tão bem como os mais optimistas esperavam (não nos podemos esquecer das guerras jugoslavas), mas correram bem melhor do que dizem os mais pessimistas. Há muito mais liberdade, bem-estar e justiça social do que havia há vinte anos. A Alemanha reunificou-se de um modo pacífico, e mantendo-se integrada no "Ocidente", o que não era evidente há vinte anos. A União Europeia alargou-se a todos os antigos países comunistas da velha "Europa de leste", incluindo as três repúblicas Bálticas. Provavelmente, o maior sucesso da integração europeia dos últimos vinte anos.
Como é natural, estas alterações profundas exigiram ajustamentos políticos e institucionais. A Europa (e nomeadamente a França e o Reino Unido) foi obrigada a adaptar-se a uma Alemanha reunificada e a União a trabalhar e a funcionar com 27 países. Os sucessivos tratados (Maastricht, Amesterdão, Nice e Lisboa) surgiram neste novo contexto político. Há, porém, uma diferença fundamental entre o Tratado de Lisboa e os outros. Após Maastricht, Amesterdão e Nice, começou logo a falar-se do próximo tratado. Após Lisboa, há sobretudo um enorme alívio e uma vontade geral, nomeadamente nos países mais influentes, em não discutir tratados durante uns largos anos. O Tratado de Lisboa encerra assim um período de vinte anos da história europeia, durante o qual a Europa mudou de uma maneira impossível de prever em 1989.
O próximo desafio estratégico para a União passou da Europa para o mundo. Se nos últimos vinte anos se ajustou à Europa unida, agora terá que se adaptar a um mundo novo. O Tratado de Lisboa ajudará mas não será suficiente. A vontade política e a capacidade para pensar estrategicamente o mundo do século XXI serão fundamentais.
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