Round Diplomático I


24 | Agosto | 2006


 


No final do primeiro mês de guerra aberta em resultado da resposta militar de Israel ao rapto pela Hezbollah de dois soldados israelitas na fronteira com o Líbano | Background | a aprovação unânime pelo Conselho de Segurança das NU | Resolution 1701 | da cessação de hostilidades e da alteração de enquadramento estratégico das forças no terreno dá nova oportunidade à diplomacia.
Este acordo do Conselho de Segurança, resultante de uma combinação de esforços da França | L'Orient-Le Jour | e dos EUA | Condoleezza Rice | foi apresentado como primeiro passo para alcançar uma trégua que permita criar condições politicas para um cessar-fogo sustentável. Propugna a cessação imediata de hostilidades, a libertação incondicional dos soldados israelitas raptados, o fim das operações militares ofensivas de Israel sobre território libanês. Em segundo lugar, a resolução pretende reforçar o Governo do Líbano e a oportunidade para alargar a autoridade, designadamente o monopólio da força, a todo o território nacional.
Principalmente, a comunidade internacional reitera a exigência do desarmamento da Hezbollah | Resolution 1559 |, e decide o embargo de armas | L'Orient-Le Jour | e o reforçar uma presença militar internacional aumentando para 15,000 homens a actual UNIFIL | Jerusalem Post |, cujo mandato será reformulado.
Enquanto as Forças Armadas libanesas se dirigem para Sul e ocupam posições em que formalmente não se encontravam há 40 anos, o Hezbollah recusa-se a entregar armas, que desapareceram do campo de visão, e assume posições de cariz governativo em matéria de reconstrução dos danos da guerra que tão habilmente provocou | Telegraph |.
Como previsto a constituição da Força Multinacional encontra obstáculos que parecem avolumar-se dia a dia. A posição afirmativa e de liderança adiantada pela França a apoiada pela Itália tem vindo a ceder terreno a problemas bem conhecidos como as características da força | Le Monde, Le Figaro |, a sua composição e capacidades operacionais. A complexidade da situação pós confronto adensa-se com as exigências derivadas do equilíbrio instável e fragilidade do Governo Libanês | Dar al Hayat |, a recusa decidida da Síria em aceitar a sua "expulsão" do | Libération | e o movimento ascensional de um Irão em vias de nuclearização | Haaretz |.
Em suma: O primeiro round desta guerra conclui-se com ganhos e perdas de ambos os lados o que redunda em vantagem para o Hezbollah cujo programa declarado de eliminação do estado judaico acumula pontos sempre que desafia abertamente Israel. A reclamada "parceria estratégica" entre Hezbollah, Síria e Irão | L'Orient-Le Jour , Telegraph | parece estar a recolocar os parâmetros de guerra regional mais uma vez claramente direccionada para a eliminação da soberania judaica.
Na frente de Gaza, a situação por agora diverge: a continuada presença das Forças Armadas israelitas, o disparo de rockets sobre território de Israel, os confrontos entre milícias palestinianas armadas mantêm-se, mas o processo político sobrevive: O Presidente M. Abbas e o PM Hanyeh retomaram as negociações para a constituição de um governo de unidade nacional, aparentemente alinhado com o "Documento dos Prisioneiros".
Israel, em momento de profunda consternação interna, reavalia | Le Monde |.

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